A história todos nós conhecemos: a garotinha de 12 anos que, quando fazia compras em um supermercado do ABC paulista, é abordada por um representante de uma agência de publicidade, e inicia uma carreira de sucesso como modelo. Hoje, sempre acabamos nos lembrando de uma ou outra capa de revista, este ou aquele anúncio em que Ana Paula Arósio aparecia ainda quase anônima, com seus olhos claros e um rostinho de anjo.
A Brooke Shields das agências de publicidade de São Paulo disse certa vez Telmo Martino, da Folha de S. Paulo. Ironia mais que elogiosa, por sinal, pois esta paulistana surpreendia a todos com uma beleza inigualável. Em 1989, sua carreira de modelo tomou o rumo natural: apareceu o convite para ir ao Japão. Do outro lado do mundo, enfrentava como rotina jornadas de 16 horas diárias de trabalho.
Foi como descobrir a 4.a dimensão
Mas para Ana Paula, além de disposição, o talento também sobrava. Em 1991, faz uma pequena participação em Forever, um filme de Walter Hugo Khouri com co-produção da RAI. Em entrevista recente, declarou que a representação foi a descoberta de um novo universo "de expressões e movimentos que vão muito além da pose estática".
Em 1994 assina contrato com o SBT. Seu trabalho de estréia na TV é a novela Éramos Seis, onde interpreta Amanda. Com a direção de Nilton Travesso, a novela teve uma boa repercussão na época. Logo em seguida, Fúlvio Stefanini e Luís Gustavo a convidam para a peça Batom. Em 1996 foi convidada para atuar como Bruna, em Razão de Viver, e como Isabel, em Os Ossos do Barão, de Walter Jorge Durst (1997). Mas um pouco antes, um acontecimento trágico marca sua vida.
      Noiva do empresário Luiz Carlos Tjurs, Ana Paula já havia marcado seu casamento para o dia 14 de dezembro de 1996. Porém, pouco mais de um mês antes, no dia 4 de novembro, seu noivo se suicida na sua frente, movido possivelmente por ciúme. Durante o depoimento à polícia, Ana Paula desmaia algumas vezes, e dias depois, abalada, experimenta o vestido de noiva. Após visitas a uma igreja evangélica, sessões de terapia e calmantes, encarou o trabalho como a melhor maneira de esquecer tudo. Em abril de 1997, é convidada por Antônio Abujamra para a peça Phedra, um papel desafiador, onde interpreta o guerreiro Hipólito.
Resposta ao tempo Em 1998, a Rede Globo decide finalmente adaptar o romance de Roberto Drummond, Hilda Furacão, para a televisão. Escrito em meados da década de 80, o livro retrata a vida de Hilda Gualtieri Müller, uma belíssima garota de respeitável família mineira, que misteriosamente abandona tudo para viver na zona de prostituição de Belo Horizonte, no início dos anos 60. Escrito em um tom de relato quase jornalístico, a obra faz a apologia da fantasia em contraposição à realidade, um sonho de uma geração que se encerra abruptamente com o golpe militar de 1.º de abril de 1964. Essa data se reveste de uma certa mágica: é simultaneamente o aniversário de Hilda Furacão, o dia em que chega ao Maravilhoso Hotel, na zona boêmia de Belo Horizonte, no ano de 1959, e o dia em que cumpre sua promessa de deixá-lo, para nunca mais voltar, em 1964. Tendo como pano de fundo as transformações sociais vividas pelo país de então, a obra se reveste de beleza e sensibilidade ímpares.
Contando com uma adaptação de Glória Perez e com a direção de Wolf Maia, a série decola com Ana Paula Arósio em seu papel principal, acompanhada de Rodrigo Santoro, Danton Mello, Thiago Lacerda, Stênio Garcia, Eva Todor, Mário Lago, Luís Mello, Paloma Duarte, e uma série de estrelas de primeira linha. Exibida em plena época de Copa do Mundo, consegue atingir rapidamente uma média de 28 pontos, com picos de até 32 pontos. A narrativa, mais carregada de emoção que sua versão escrita, conquistou o público como há muito não se via em uma obra deste horário.
Ana Paula Furacão Após a minissérie global, Ana Paula se torna a nova musa nacional. E a conseqüência natural: rapidamente é convidada para estrelar duas campanhas publicitárias, uma de um sabonete e outra de uma linha de calçados. Em seguida, é chamada para um episódio da série Mulher, onde interpreta uma hermafrodita, e um Você Decide, com uma história sobre um assasinato misterioso. E acaba recebendo toda a atenção da mídia: seus passos e sua carreira são acompanhados em detalhe pelas publicações especializadas.
      Após ser uma das estrelas da novela Terra Nostra, onde contracenou com Thiago Lacerda (o Aramel, de Hilda Furacão), Ana Paula também continua se dedicando ao cinema e ao teatro. Depois de Os Cristais Debaixo do Trono, de Del Rangel, encenou a peça Harmonia em Negro, do mesmo diretor. Em sua vida pessoal, curte criar seus cavalos e sua cadela de estimação, a cocker spaniel  Isabel, além de cultivar o hábito de ler clássicos como Shakespeare e até mesmo física quântica.
      Recentemente, foi a garota-propaganda de uma empresa de telecomunicações, presente em out-doors  e anúncios na TV. E mais uma vez, realidade e ficção se confundem: como Hilda Furacão, que ao sobrevoar Santana dos Ferros espalhava felicidade a todos seus habitantes, Ana Paula Arósio traz mais beleza a cada esquina e avenida de nossas cidades.
Trabalhos de Ana Paula Arósio no cinema, teatro e televisão
1991 Forever Filme de Walter Hugo Khouri
 novembro/93  Um Passeio no Cometa da Turma da Fofura Teatro infantil
31/07/94 Éramos Seis Novela - SBT
25/05/95 Batom Teatro
06/05/96 Razão de Viver Novela - SBT
28/04/97 Ossos do Barão Novela - SBT
abril/97 Phedra Teatro
27/05/98 Hilda Furacão Minissérie - TV Globo
agosto/98 Mulher Série - TV Globo
agosto/98 Você Decide Série - TV Globo
setembro/98 Os Cristais Debaixo do Trono Filme de Del Rangel
16/06/99 Harmonia em Negro Teatro
20/09/99 Terra Nostra Novela - TV Globo


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