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      Durante a corrida espacial, dois conceitos antagônicos coexistiram durante décadas: a competição e a cooperação. Por volta do início da década de 1960 os EUA viam-se em uma desconfortável posição de retaguarda na conquista do espaço, enquanto seu oponente direto, a União Soviética, realizava expedições à Lua com sucesso. A desvantagem americana foi reconhecida em outubro de 1960 pelo então candidato à presidência John F. Kennedy:

      "Estamos em uma corrida espacial estratégica com os russos, e estamos perdendo. Se os soviéticos controlarem o espaço, eles controlarão a Terra, como nos séculos passados as nações que controlaram os mares dominaram os continentes."

      Com a eleição de JFK em 1961, os EUA tomaram a frente na corrida espacial, após enorme comprometimento da comunidade científica e da indústria. Os cientistas soviéticos, reconhecendo que pouco podiam fazer além de enviar expedições não-tripuladas à superfície lunar, assistiram uma nave norte-americana pousar o solo da Lua em 20 de julho de 1969. Com a conquista do nosso satélite natural, a corrida espacial perdeu seu ímpeto, e americanos e soviéticos voltaram a dialogar sobre um possível programa de cooperação.

      O aperto de mãos inicial foi realizado finalmente em 17 de julho de 1975, quando as espaçonaves Apollo e Soyuz acoplaram, e suas tripulações realizaram operações conjuntas por dois dias.

      Na segunda metade da década de 1970 os EUA e a URSS realizaram exaustivas experiências que provaram a possibilidade da permanência do homem no espaço por períodos de tempo prolongados. Além disso, a nova espaçonave reutilizável Shuttle passou a permitir uma navegação mais segura, rápida e com custos menores. Em 25 de janeiro de 1984, em seu Discurso sobre o Estado da União, o Presidente norte-americano Ronald Reagan declarou sua firme intenção de abrir portas à cooperação internacional na pesquisa e desenvolvimento espacial com seus aliados:

      "Podemos perseguir nossos sonhos rumo às estrelas distantes, viver e trabalhar no espaço para o benefício da paz, da economia e da ciência. Nesta noite, estou solicitando à NASA para que desenvolva uma estação espacial permanente dentro de uma década.

      Uma estação espacial irá permitir enormes saltos na pesquisa científica, de comunicações, materiais e medicamentos que podem ser produzidos apenas no espaço. E nós queremos que nossos amigos nos ajudem a atingir estes desafios, e que compartilhem destes benefícios. A NASA irá convidar outros países para participar do projeto, de modo a fortalecer a paz, construir a prosperidade e expandir a liberdade a todos aqueles que compartilham de nossos ideais."


      O acidente com a Shuttle Challenger em 1986 e os elevados custos do programa espacial levaram os técnicos da NASA de volta à mesa de projetos. Enquanto isso, acordos de cooperação foram feitos com o Canadá, a União Européia e o Japão. A nova estação espacial, Freedom, teve seu custo estimado em 30 bilhões de dólares.

      Mas o colapso da União Soviética e as dificuldades financeiras enfrentadas pelo programa espacial russo iniciaram uma nova etapa de cooperação entre os antigos rivais. Em fevereiro de 1994 a Shuttle Discovery parte em missão levando a bordo o cosmonauta russo Sergei Krikalev. Exatamente um ano depois, a Discovery realiza manobras de aproximação com a Estação Mir. Em março o astronauta americano Norman Thagard viaja a bordo de uma nave Soyuz e permanece 115 dias a bordo da Mir. E em junho finalmente ocorre a primeira acoplagem da Shuttle Atlantis com a estação russa. Nos anos seguintes americanos e russos realizam uma série de atividades conjuntas na Mir.

      Estas operações abriram o caminho para que o governo Bill Clinton convidasse a Agência Espacial Russa para participar do projeto da nova Estação Internacional, aparentemente exigindo uma redução no programa de mísseis balísticos intercontinentais daquele país. O projeto foi totalmente remodelado, com a inclusão de uma seção russa e a utilização das naves Soyuz e Progress. O novo projeto, agora denominado International Space Station, passou a depender fortemente do comprometimento russo, cujos elementos serão vitais aos sistemas de navegação da ISS.

      Mas, mesmo contando com auxílio financeiro da NASA, a Agência Russa teve atrasos contínuos no desenvolvimento de seus módulos. Sua capacidade de colocar em órbita partes fundamentais da ISS foi questionada. Como se não bastasse, o Congresso norte-americano acenou com a possibilidade de cortes no orçamento da NASA, o que impossibilitaria o desenvolvimento e a realização de uma série de experimentos de vital importância.
O Presidente norte-americano Gerald Ford recebe os astronautas e cosmonautas da missão Apollo-Soyuz, tendo em suas mãos um modelo das espaçonaves. Da esquerda para a direita, os cosmonautas soviéticos V. A. Shatalov, V. N. Kubasov e A. A. Leonov, e os astronautas americanos T. P. Stafford, D. K. Slayton e V. D. Brand.

Concepção artística da Skylab, primeira estação espacial permanente. A Skylab foi lançada em 14 de maio de 1973, e 11 dias depois já recebia sua primeira tripulação, transportada por uma nave Apollo. Outras duas tripulações ocuparam o laboratório orbital, realizando experimentos e coletando dados sobre os efeitos da permanência prolongada do homem no espaço. A última tripulação deixou a Skylab em 8 de fevereiro de 1974. Experimentos continuaram sendo realizados remotamente, até que a estação desestabilizou-se e caiu sobre uma área desabitada no Pacífico em 11 de julho de 1979.

04 de julho de 1995 - primeira acoplagem da estação espacial russa Mir com a Shuttle Atlantis. A estação Mir tornou-se um símbolo da tecnologia espacial russa em plena fase de decadência do império soviético e das dificuldades financeiras que se seguiram. Lançada em 1986, a estação permaneceu 15 anos em órbita, onde foram realizados diversos experimentos e vários recordes de permanência no espaço foram batidos. Após dez anos de operação, uma sucessão de acidentes e uma colisão com a nave de suprimentos Progress aceleraram seu fim. Em 23 de março de 2001 a Mir reentrou na atmosfera terrestre e caiu no Pacífico Sul.

Evolução dos custos da seção norte-americana da Freedom/ISS.
      No presente momento a montagem da Estação Espacial continua, porém os atrasos têm se acumulado. A previsão de conclusão ficou adiada para o ano de 2006. A continuidade dos experimentos dependerá fortemente da conclusão dos módulos europeu e japonês. Mas, apesar das inúmeras dificuldades de se encontrar uma solução para a equação tecnologia + economia + política, a nova Estação Espacial Internacional sem dúvida está destinada a ser um novo marco na história do desenvolvimento tecnológico da humanidade.
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